Dias e meses passaram e após muita insistência e esforço, Missy começou a se inturmar mais com os jovens da Igreja e logo passou a frequentar 'por livre e espontânea' vontade. Passou a fazer parte de uma tal de "Network of Youth" ou, como gostava de falar "Gospel Ballad". E foi aí que algo começou a mudar.
Missy mudou de escola, conheceu outras pessoas e fez novas amizades. Dentre essas novas amizades, ela conheceu alguém muito especial, um rapaz de 18 anos, muito interessante, inteligente e atencioso, seu nome é Matheus. Matt mexeu com todos os seus sentidos desde a primeira vez que ela viu sua foto num site de relacionamento da internet. Começaram a conversar virtualmente e no dia seguinte, sem mais nem menos, esbarram-se na calçada. Ele com fone nos ouvidos, cabelo loiro, naturalmente bagunçado e um Starbucks nas mãos, sorriu e pediu desculpas, ela, com sua agenda e livros nas mãos, ajeitou o cabelo e o encarou por alguns instantes, sorriu levemente e assentiu com a cabeça. Seguiram em frente, ambos com a sensação de já terem se visto antes. Surpreenderam-se quando a sensação deixou de ser uma dúvida e passou a ser uma verdade.
Conforme os dias passavam, Missy se interessava mais e mais por Matt e tudo, sem dúvidas, era recíproco. Então, Missy permitiu-se voltar a sonhar e cada vez mais as coisas pareciam cooperar a favor deles, ainda mais, quando descobriram que ela estudaria na mesma escola que ele. Matt, com cada palavra, cada atitude, cada gesto de carinho, por mais simples que fosse, a conquistava cada vez mais.
As aulas enfim começaram. Matt fez questão de apresentá-la a seus amigos e amigas e passar o intervalo inteiro com ela. Todo aquele cuidado e atenção o tornava cada vez mais especial, encantador e único. Logo no segundo dia de aula, meio sem jeito, Matt tomou iniciativa e perguntou se ela realmente queria ficar com ele. Ao que era de se esperar, a resposta de Missy foi positiva.
Os dois primeiros meses de namoro foram ótimos. Eles, ao que tudo indicava, eram totalmente compativeis, ouviam as mesmas músicas, gostavam dos mesmos filmes e faziam muitos planos juntos. Mas, ao contrário do que Missy imaginava, por trás de toda aquela inteligência, determinação e segurança que Matt transmitia, existia um garoto imaturo, indeciso, inseguro e até mesmo, um tanto egoísta -um lado que nem ele entendia-. Quanto mais o relacionamento entre eles ficava sério, mais as 'deficiências' de Matt apareciam. No começo, Missy, por estar cegamente apaixonada e encantada, foi capaz de relevar certas coisas, suportar outras e fingir que estava tudo bem. A indiferença e a frieza de Matt tornou-se algo tão grande e assustador que nem mesmo ele se deu conta do quanto estava machucando-a. Com a esperança de melhorar a situação em que se encontravam, Missy esperou até que a semana terminasse e decidiu por conversar numa boa, perguntar o que havia acontecido, Matt disse que não sabia, mas que estava meio confuso em relação a algumas coisas. Nem foi preciso dizer que coisas eram essas, apesar de todo aquele sentimento forte que ele despertava nela, Missy não era nenhuma 'tapada'. Resolveu arriscar, pediu para que ele pensasse bem naquilo que ele realmente queria e tomasse uma decisão: ou eles resolviam essas "crises" juntos, ou o melhor era terminar. Sentia um aperto no coração só de pensar nessa possibilidade, mas sabia que havia feito a coisa certa. E, então, enquanto a semana se iniciava, Matt colocava um fim no seu namoro. Ele evitou Missy durante todo o tempo, até a hora da saída e então não teve outra alternativa. Chamou-a de canto e começou a falar. Disse que havia pensado muito em tudo, principalmente nela, não achava justo continuar desse jeito e que ele preferia que terminassem agora, do que ele acabar fazendo com que ela sofresse mais, futuramente. Missy absorveu cada uma daquelas palavras, "perdeu o chão" por alguns instantes, sentiu um vazio gigante dentro do peito, olhou fixamente para Matt, sem expressão alguma, assentiu com a cabeça e desceu as escadas em direção à saída. Enquanto caminhava, podia sentir seu coração sendo invadido e coberto por uma longa e espessa camada de gelo.


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